
Pela 1ª vez, o Brasil alugou uma casa de luxo em Davos. Mas a falta de Lula e Haddad transformou o investimento em polêmica. Entenda o “esvaziamento” que preocupa o mercado.
A festa brasileira sem o dono da festa
Segunda-feira, 19 de janeiro. Na rua mais cara da pequena cidade de Davos, na Suíça, uma vitrine verde e amarela tenta aquecer o inverno europeu. É a inédita “Casa Brasil”, um espaço milionário montado pelo governo para vender nossas riquezas, nossa Amazônia e nossa indústria para os donos do dinheiro mundial.
Contudo, quem entra lá esperando apertar a mão de quem decide os rumos da nossa economia, pode se decepcionar.
De fato, a estratégia de marketing foi ousada: alugar um espaço físico para mostrar presença. Entretanto, a comitiva política enviada é considerada “tímida” para os padrões do evento. Sem o Presidente Lula e sem a presença forte da equipe econômica principal, o Brasil corre o risco de falar para as paredes.
Sendo assim, o contraste é gritante: temos a melhor estrutura física dos últimos anos, mas a menor representatividade política. É como dar uma festa de gala e mandar o estagiário receber os convidados.
O Brasil Ecológico x O Mundo “Anti-Woke”

O problema não é apenas a ausência de pessoas, mas o “timing” errado da pauta.
Primeiramente, o Brasil foi para a Suíça com o discurso da “Amazônia de Pé”, transição energética e sustentabilidade. É uma pauta nobre e necessária.
Por outro lado, o clima em Davos em 2026 mudou radicalmente. Com o fortalecimento da direita global e o retorno de figuras como Donald Trump ao centro do debate, a pauta ESG (ambiental e social) perdeu força para o pragmatismo, o protecionismo e o lucro imediato.
Consequentemente, enquanto o Brasil tenta vender créditos de carbono, o mundo está discutindo guerras comerciais, tarifas e inteligência artificial.
Ou seja, existe um descompasso. O Brasil está tentando vender geladeiras no Polo Norte? Talvez não tanto, mas estamos tentando vender floresta para quem só quer saber de microchips e petróleo.

O Custo do “Soft Power”
Trazer investidores custa caro. Todavia, o mercado financeiro (a Faria Lima) está se perguntando hoje: valeu a pena o gasto com a “Casa Brasil” se não há ninguém de peso para fechar os contratos?
Além disso, a ausência de Haddad é vista como um sinal de que os problemas domésticos (contas públicas) estão tão graves que o ministro não pode se dar ao luxo de viajar. Isso, ironicamente, assusta mais o investidor do que atrai.
Afinal, em Davos, a presença física é tudo. Um aperto de mão no corredor vale mais que mil e-mails.
Portanto, o Brasil começa a semana em Davos com uma casa bonita, café quente e pão de queijo, mas com um vácuo de poder que os concorrentes internacionais não vão hesitar em preencher.
Em suma, o marketing está nota 10. A política externa, porém, parece ter ficado presa na alfândega.
E você? Acha que o Brasil deve gastar dinheiro com marketing internacional em Davos ou o governo deveria focar apenas nos problemas internos? Essa “Casa Brasil” vai trazer retorno? Comente! 👇
Fontes: Agenda Oficial WEF 2026, Portal da Transparência (Custos ApexBrasil), Cobertura Internacional (Financial Times/Bloomberg sobre Davos 2026).







